A Diversidade virou “out of fashion”?

Diversidade & Sociedade

O ano de 2024 vai entrar para a história como o ano em que vimos diversas iniciativas de DE&I ao redor do mundo se retraindo. Em julho deste ano, a Microsoft encerrou sua área de Diversidade, Equidade & Inclusão e demitiu toda a equipe dedicada, decisão comunicada ao restante do time da empresa por meio de um e-mail em que a companhia apontava que a medida foi motivada por “mudanças nas necessidades de negócios” e que o assunto já “não é mais crítico para os negócios como era em 2020”. Nos últimos meses, outras gigantes como Google, Meta, X e Zoom também anunciaram decisões semelhantes. As decisões foram anunciadas pelas sedes das companhias e reverberaram nos escritórios ao redor do mundo como um grande tsunami. Mas, o que isso significa para a pauta social?

É fato que as grandes corporações ditam tendencias para o restante do mercado. E isso foi visível quando a “onda da diversidade” teve início após o assassinato de George Floyd em 2020, incidente que gerou comoção mundial e fez com que as empresas abrissem os olhos para a necessidade de darem atenção especial aos assuntos relacionados às temáticas de DE&I. Não que a demanda não existisse antes. Pelo contrário. Sabemos muito bem que as pautas ligadas aos grupos minorizados há tempos precisavam ser inseridas no ambiente corporativo. No Brasil, o movimento já estava acontecendo de maneira mais lenta nos anos anteriores a 2020, mas certamente com o “fator Floyd” serviu como impulso para amplificar as ações. Mas o quanto de verdade havia nessas iniciativas? O quanto os líderes dessas corporações realmente compreendiam a importância das ações de impacto social para os seus negócios e para a sociedade em geral?

Diminuir as desigualdades é uma demanda urgente para que tenhamos uma sociedade mais justa, mais igualitária. Isso garante que inclusive as empresas tenham resultados melhores, como podemos observar na edição 2023 da pesquisa “A Diversidade Importa Cada Vez Mais”, lançada pela McKinsey & Company. De acordo com o estudo “existe uma associação inegável entre liderança diversa e ambições de crescimento holístico, maior impacto social e uma força de trabalho mais satisfeita”. Isso se reverte em um turn over menor, maior produtividade um negócio mais sólido e mais lucratividade.

Diversidade não é moda, não é tendência. O mundo é diverso. Investir de maneira sólida, intencional e consistente nessa temática é o caminho. Não há como fechar novamente os olhos nem como calar as vozes que começaram a se fazer ouvir nos últimos anos. Que as empresas entendam isso rapidamente e revertam essa reversão. Antes que a sociedade cobre o preço do descompromisso. Preço esse que normalmente é muito mais alto que o da ignorância.

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